FNE/SPZN reclama medidas urgentes para defender integridade dos professores

A Federação Nacional da Educação (FNE) classificou hoje de “extremamente preocupantes” as agressões a professores, defendendo medidas urgentes de penalização dos agressores e de responsabilização das famílias pelo comportamento dos alunos.

 

“Ainda recentemente tivemos uma situação de um professor agredido que não quis fazer queixa, nem que ninguém fizesse, por medo de retaliações”, disse hoje à agência Lusa o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.

 

Um professor de matemática de 63 anos, que expulsou uma aluna da sala de aula por estar a perturbar a lição, foi agredido à frente da escola, em Gaia, por três homens, presumíveis familiares da estudante do 6.º ano, disseram na quarta-feira à agência Lusa fontes oficiais.

 

“Aguardamos a apresentação de novas medidas prometidas pelo Governo, enquadradoras da ação de violência contra professores, mas também precisamos de normas para fazer com que as famílias sejam responsabilizadas”, defendeu Dias da Silva.

 

O dirigente sindical considera que não pode haver muito tempo para a tomada de sanção, nem para o aluno, nem para as pessoas que agrediram o professor.

 

“Isto é inaceitável, não pode acontecer”, lamentou.

 

O secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, prometeu em novembro tudo fazer pela autoridade dos professores, colocando-se ao lado dos docentes na defesa da disciplina na escola e prometendo um novo estatuto do aluno até à primavera, para entrar em vigor no próximo ano letivo.

 

O ministro da Educação, Nuno Crato, deverá também responder a deputados do CDS-PP que o questionaram na quarta-feira sobre a necessidade de reforçar os meios disciplinares das escolas, depois de noticiado mais este caso pela Lusa.

 

No mês passado foi o PS a defender que deve haver "rápida intervenção" da polícia para "reprimir episódios de violência" nas escolas, exigindo saber o que o Governo pretende fazer neste sentido.

 

Aprovada na Assembleia da República, na generalidade, a proposta de lei que criava o crime de violência escolar, esta não sobreviveu ao fim do Governo PS e acabou por caducar, mas ainda pode vir a ser recuperada.

 

 

AH/(APN).

Lusa/fim.

 


João Dias da Silva esteve em direto na RTP Informação, a propósito do caso de violência a um professor numa escola, em Gaia.